Dúvidas Frequentes

Pé Diabético

Introdução
A despeito dos avanços na medicina, a literatura médica continua registrando elevadas taxas de amputações em membros inferiores em portadores de diabetes mellitus. Estas amputações são decorrentes de complicações dos nervos (neuropatia) e/ou da circulação (isquemia) e/ou infecção, denominada genericamente de “Pé Diabético”.
A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, Regional da Bahia, consciente desta incômoda situação e por entender que grande parte destas amputações podem se dar por causa da falta de conhecimento sobre o assunto, resolveu escrever algumas considerações.

O que é pé diabético:
O Consenso Internacional sobre Pé Diabético (International World Group of Diabetic Foot – IWGDF, 1999) define o pé diabético como: “Infecção, ulceração e/ou destruição de tecidos profundos associadas a anormalidades neurológicas e vários graus de doença vascular periférica no membro inferior”, portanto, devemos entender que o pé do indivíduo portador de diabetes melito pode apresentar alterações relacionadas aos nervos e circulação, que pode ser agravada pela presença de feridas principalmente se ocorrer infecção. É importante entender que estas alterações podem se apresentar em intensidade variada, ou seja, desde situações mais simples até as mais graves. Deve-se evitar o entendimento habitual de que o pé diabético se resume apenas aos casos mais graves, como, gangrenas, necroses, abscessos, etc., porque se entendermos assim os estágios iniciais das complicações não serão incluídos na assistência, principalmente as fases iniciais de risco para o desenvolvimento de uma úlcera/ferida, quando as medidas preventivas são fundamentais.

Qual o tratamento do pé diabético:
Todos os diabéticos devem seguir as instruções de cuidados com os pés (veja abaixo na parte de Prevenção).
Todos os diabéticos devem ter seus pés examinados para saber em que situação se encontra no momento e daí se definir as formas mais adequadas de tratamento e /ou prevenção.
O tratamento propriamente dito depende da alteração que o indivíduo apresenta.
Por exemplo:
Em um diabético com boa condição circulatória:
– Se apresenta apenas diminuição da sensibilidade nos pés deve ter todos os cuidados básicos e mais calçados apropriados que acomodem bem seus pés sem traumatizá-los.
–  Se apresenta deformidades além da diminuição da sensibilidade nos pés deve ter todos os cuidados básicos e mais calçados/ palmilhas moldadas à deformidades de seus pés.
–  Se apresenta sinais de infecção deve procurar de imediato seu médico ou um pronto socorro, pois, precisará usar antibióticos e poderá ser necessário uma operação, na qual deve ser retirado todo tecido destruído pela infecção e curativos adequados.
Entretanto em um diabético com problemas de circulação:
– Se não apresenta feridas ou dor em repouso pode ser tratado com medicações específicas, suspensão definitiva do fumo, exercícios tipo caminhadas e controles gerais de colesterol, triglicérides, glicemia, etc.
– Se apresenta feridas, gangrenas ou dor em repouso deve ser avaliado de imediato por um angiologista/ cirurgião vascular para ser definido o tratamento mais adequado para melhorar a circulação. Em alguns casos mesmo com a operação para melhorar a circulação, às vezes pode ser necessária uma amputação em dedos, pé podendo também atingir o nível da perna ou coxa.

Por que há necessidade do diabético ter cuidados preventivos com os pés:
A prevenção se faz importante e necessária na medida em que as considerações feitas apontam no sentido de que pequenas alterações nos pés podem evoluir e chegar a situações mais graves.
Por outro lado, a literatura médica demonstra que a identificação precoce das alterações dos pés dos diabéticos e a aplicação de classificações de risco permitem a adoção de oportunas medidas terapêuticas e preventivas que resultam em redução na taxa de ulceração e conseqüentemente das temidas amputações.
Esta identificação precoce das alterações pode ser feita por meio de exame clínico adequado com auxilio de exames auxiliares de maior ou menor complexidade, de modo que é necessário antes de qualquer medida que o diabético tenha seus pés examinados e classificados para que se possam adotar as medidas preventivas ou de tratamento propriamente dito como foi dito acima.

Como é feita a prevenção:

A palavra prevenção encerra mais que esta lista de instruções

  • Examine, todos os dias, os seus pés. Verifique se existem bolhas, calos, úlceras, micose entre os dedos ou infecções. Examine seus pés pela manhã ao acordar, e à noite, ao deitar. Use um espelho para “olhar” as solas dos pés ou peça a ajuda de um parente, amigo ou vizinho;
  • É necessário secar bem os pés, cortar e cuidar periodicamente das unhas;
  • Andar é o melhor exercício para a circulação. Ande pausadamente e de forma regular. Mesmo que sejam apenas alguns metros por dia. Entretanto, no caso de feridas ou lesões, pode ser o repouso necessário. Consulte seu médico;
  • Abandone o hábito de fumar, para preservar a sua circulação;
  • Nos dias frios, proteja os pés usando meias de lã ou algodão, bem folgadas. Nunca use nada que aperte seus pés e possa prejudicar o fluxo sangüíneo;
  • É recomendável fazer um exame diário dos sapatos, evitando pregos ou corpos estranhos soltos no interior deles;
  • Nunca confie em sua sensibilidade térmica (de temperatura) ou dolorosa (de dor). Evite os excessos de calor e frio. O fato de você sentir que seu pé está “frio” não significa que este esteja. Nunca aplique saco de água quente nos pés;
  • Nunca use remédios ou produtos químicos nos pés sem consultar o especialista. Devido ao diabetes, produtos corriqueiros podem ser danosos para a sua pele.
  • É importante que você visite seu médico com regularidade, mesmo que pense que está tudo bem. Procure saber o endereço e os telefones de seu médico, bem como os de seus assistentes. Se não encontrá-lo, procure um pronto-socorro.